Tudo o que contaremos e revelaremos é verídico e confiável, como testemunhos verdadeiros tomados da assembléia dos piedosos: em primeiro lugar, dos Santos Evangelistas e Apóstolos, e dos santos e devotíssimos Padres, cujas palavras estão repletas de toda sabedoria e foram escritas por graça do Espírito Santo, e suas obras são belas e virtuosas. São eles Gregório de Neocesaréia, o Taumaturgo, o grande Atanásio de Alexandria, o Santo Gregório de Nissa e Dionísio, o Areopagita, e outros a eles semelhantes em virtude.

E se dissermos algo tirado dos textos apócrifos, será verídico e sem erro, dentre aquilo que tem sido aceito e confirmado pelos Padres a quem nos referimos. Pois diz o Santo Gregório de Nissa: “Li num livro apócrifo que o pai da Santíssima Virgem era conhecido por sua observância da Lei e famoso pela caridade”. Chamava-se Joaquim e era da tribo de Davi, rei e profeta, e sua esposa era Ana. E ele não teve filhos até a velhice, porque sua mulher era estéril. Segundo a Lei de Moisés, porém, era concedida à mulher que dava à luz uma honra que não era dada à que não tinha filhos (cf. Proto-Evangelho 1, 7).

História de São Joaquim e Santa Ana

Joaquim e Ana eram estimados e honrados, em atos e palavras, por ser notório que pertenciam à linhagem de Judá e Davi e da sucessão dos reis. E, por fim, as tribos de Judá e Levi se uniram; ou seja, as tribos real e sacerdotal se miscigenaram, pois isto é o que está escrito acerca de Joaquim e de José, de quem a Santa Virgem era noiva. Embora fosse chamado ser da casa e da tribo de Davi segundo o lado mais próximo (cf. Lc 1, 25), ambos os lados, porém, se tornaram um só; um pela natureza, que era a de Davi, e outro pela Lei, que eram os levitas. Assim, a Santa Ana era também um ramo obediente dessa tribo, e ela predisse que o rei nascido de sua filha seria um sumo sacerdote, como Deus e como homem.

Mas, em razão da Lei de Moisés e da censura de gente insensata, a ausência de filhos muito afligia os honrados e gloriosos pais da Virgem, enquanto esperavam que um filho deles nascesse, para eliminar não só sua própria reprovação, mas a do mundo inteiro, e para elevá-lo a mais alta glória (cf. Proto-Evangelho 1, 5; 1, 9–10; 2, 6–7). A abençoada Ana, então, como a primeira Ana, mãe de Samuel, foi ao templo e rezou ao Criador de todas as coisas para que lhe desse o fruto da maternidade, para que ela pudesse dedicar a Ele como um dom o que por Ele lhe fora dado (cf. 1Sm 1, 1–11; Proto-Evangelho 2, 9; 4, 2). E tampouco o digno Joaquim era negligente, mas pedia a Deus que os livrasse dos grilhões da falta de filhos.

O milagre da concepção

O amável e generosíssimo Rei atendeu a prece do justo e enviou a boa nova a ambos (cf. Proto-Evangelho 4). Primeiro, informou a Joaquim que orava no templo. Ele ouviu uma voz vinda do alto que dizia: “Vais receber uma criança que será uma glória, não só para ti, mas para o mundo inteiro”. Ele fez que a boa nova de Joaquim fosse conhecida também pela abençoada Ana; ela, porém, não cessou de rezar a Deus com lágrimas ardentes. Veio-lhe a notícia de Deus no jardim onde ela oferecia suas preces e súplicas a Ele (cf. Proto-Evangelho 3). O anjo de Deus veio a ela e disse: “Deus ouviu a tua prece, e darás à luz a causa da alegria, e a chamarás Maria, através da qual virá a salvação do mundo inteiro” (cf. Proto-Evangelho 4, 1).

E com a Anunciação se iniciou a concepção, e da estéril Ana nasceu Maria, a iluminadora de todos, pois seu nome Maria se traduz como “iluminadora”. Então, os honrados pais da abençoada e santa criança tiveram imensa alegria, e Joaquim organizou uma grande festa e para ela convidou todos os parentes, cultos e incultos (cf. Proto-Evangelho 6, 6), e todos eles renderam glória a Deus, que lhes proporcionara um maravilhoso milagre, para que a ignomínia de Ana se transformasse na maior das glórias. Ela é a porta da porta de Deus e o início da vida dela e de seus gloriosos feitos. A partir de agora, convém elevarmos o nosso discurso acerca de seus altos mistérios e das glórias devidas à sua graça, intercessão e auxílio, pois ela é a causa e a doadora de todo o bem.

Trechos retirado do livro A vida da Virgem.
De São Máximo Confessor.

Siga nossa página no Instagram e acompanhe as novidades.